sexta-feira, 13 de março de 2020

A empatia na Medicina no contexto da Saúde 4.0

Saudações a todos! Hoje eu gostaria de fazer uma pausa nas tecnologias exponenciais e disruptivas para falar de um soft skill bastante complementar a elas que, embora não seja algo novo, tem potencial de impactar positivamente a saúde das pessoas e é algo que nenhuma inovação ou tecnologia pode, isoladamente, alcançar.  Vamos falar sobre empatia na medicina.

Devido à minha especialidade médica focaremos na área que vivencio no meu cotidiano enquanto  radiologista, mas creio que muito possa ser extrapolado para outras áreas.


A definição acima é a primeira que encontramos no dicionário Michaelis. Ou seja, empatia basicamente é a capacidade de imaginar-se no lugar de outra pessoa.

Porque isso é importante quando se fala em saúde 4.0? Como já vimos em postagens anteriores, há inúmeras tecnologias que já estão sendo aplicadas na medicina buscando melhorar a prestação dos serviços médicos, automatizando tarefas repetitivas. Algumas especialidades, especialmente aquelas baseadas em reconhecimento de padrões como a radiologia e a patologia, devem ser fortemente impactadas pelo uso de inteligência artificial. O que pode parecer um armageddon a primeira vista pode, na verdade, ser apenas uma transição evolutiva dessas especialidades, abrindo espaço para o médico ser mais... médico. Como lembrou meu amigo Marcelo Balancim em um post recente, exercer mais o "doctoring", como conceituado por Eric Cassell.

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crédito: https://www.psychalive.org/empathy-can-help-us-right-now/

Como o tema, mesmo fechando mais na radiologia, é realmente amplo, vamos nos concentrar em duas das suas vertentes.

Falando então sobre o médico radiologista ,seria seu único produto de trabalho o laudo confeccionado após interpretar as imagens de uma, por exemplo, ressonância magnética? Seria possível fazer algo mais além dessa entrega tradicional (considerando que um laudo correto é pré-requisito)?

Considero que sim, radiologistas podem fazer mais. Indo além, penso que quem não puder ou fizer tende a perder relevância em um horizonte não tão distante em que algoritmos cada vez mais eficientes de AI podem tornar esse radiologista um mero "validador" de relatórios baseados em AI. Sabemos que há discussões se a AI pode chegar ao nível de um laudo médico praticamente completo, especialmente em métodos de imagem pesada como tomografia computadorizada e ressonância magnética, mas vamos nos valer dessa simplificação.

O que podemos entregar a mais então? Fazendo um exercício de empatia, ou design thinking caso se queira utilizar um termo que anda em maior evidência, talvez possamos entregar mais valor ao médico que solicitou o exame estando disponíveis para discutir casos mais complexos com ele, ajudando-o  na decisão do tipo de tratamento.  Também podemos avisa-lo ativamente de algum achado inesperado ou mais grave nos exames de um paciente seu. Estes são valores que nunca poderão ser entregues adequadamente por nenhuma tecnologia, dependem desse soft skill empático que merece ser desenvolvido e aprimorado por todos nós.


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crédito: https://www.sbmastologia.com.br/medicos/noticiasmedicas/medicina-baseada-em-empatia-vendo-atraves-do-olhar-do-outro/

Outra vertente da empatia no trabalho de um radiologista é sobre sua entrega mais básica, o laudo (ou relatório para os colegas portugueses). Sendo um radiologista musculo-esquelético, meu principal cliente médico são ortopedistas. Há várias formas de se fazer um laudo radiológico. Talvez a maioria de nós tenha aprendido uma sequência de itens a ser citados (primeiro meniscos, depois ligamentos, depois cartilagens, etc), não necessariamente sequenciais em relação às alterações que se encontram nos exames. Muitos seguem com esse padrão ao longo da sua vida profissional.

Mas... seria essa forma de laudo a melhor para quem vai recebê-lo e interpreta-lo? Vamos fazer novamente um exercício de empatia / design thinking, colocando-nos no lugar de um colega médico que vá ler os laudos. Provavelmente esta estrutura de laudo não faça sentido. Provavelmente faça mais sentido descrever primeiro os achados mais importantes e, quando houver relação entre eles, também dispor esses achados sequencialmente.

Também não faz sentido utilizar 5 linhas para descrever algo que possa ser descrito, de forma objetiva, concisa e sem perda de conteúdo, em 2 linhas. É importante passar as informações da forma que elas possam ser mais facilmente compreendidas pelo cliente médico, sempre entregando o máximo de conteúdo da forma mais objetiva possível.

Esse processo, além do exercício empático, envolve obviamente conversar com os médicos prescritores e tentar entender suas reais necessidades quando pedem um exame, que tipo de informações são mais relevantes e como entrega-las de forma clara e objetiva.

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crédito: https://gblogs.cisco.com/uki/why-is-empathy-important-in-customer-experience/

No contexto de inovações e disrupções que surgem quase semanalmente (como novos algoritmos de AI) e podem agilizar nosso trabalho automatizando o que possa ser automatizado, esse tempo extra proporcionado pode ser utilizado para sermos mais médicos e menos técnicos e exercícios de empatia e design thinking no nosso cotidiano podem nos auxiliar nisso.

Em paralelo, os pacientes seguem em uma outra vertical paralela disruptiva tornando-se mais engajados na gestão da própria saúde graças a tecnologias exponenciais e à internet, como já abordamos em outros artigos por aqui. O resultado desse caldeirão de mudanças tem tudo para nos conduzir a vidas mais longas e saudáveis.

E na sua área de atuação? Como a empatia pode lhe ajudar a ser um profissional melhor, entregando mais valor para a Saúde? Escrevam nos comentários e, se gostaram do post, compartilhem com seus amigos e conexões. Até a próxima!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Vestindo saúde

Saudações a todos! Passado o carnaval vamos dar continuidade à nossa sequência de posts abordando o universo Health Tech e o tema de hoje é wearables.

Afinal, o que são wearables? Na tradução livre wearables são aparelhos "vestíveis" e por estranho que pareça o nome é exatamente isso, tecnologia de vestir. Os mais famosos, dos quais muitos ouviram falar ou mesmo tem, são os smartwatches, relógios inteligentes que misturam as funções de um celular com um relógio convencional e podem medir parâmetros de saúde e atividade física dos seus usuários.

É justamente essa capacidade de medir parâmetros de saúde e atividade física que torna esse tema relevante para Healthcare. Também contribui para a relevância dos wearables na área de Saúde o fato que seu uso estimula o envolvimento das pessoas com a própria saúde, aumentando o seu engajamento. Cerca de 75% dos usuários de wearables afirmam que seu engajamento em suas condições físicas e de saúde aumentou após começarem a usa-los.

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crédito: http://www.information-age.com/

Não por acaso operadoras de saúde estudam oferecer a seus clientes wearables, pois contam com uma redução de sinistralidade, que auxilia a reduzir a conhecida espiral dos custos de saúdes. Algumas outras operadoras consideram oferecer descontos nos planos de saúde a usuários que cumprirem metas de saúde baseadas em registros de wearables.

A maior parte do mercado de wearables hoje está com smartwatches, muito pela sua praticidade de uso. Além da tradicional contagem de passos, as características mais comuns à maioria dos smartwatches incluem o monitoramento da frequência cardíaca e do sono.

O monitoramento de frequência cardíaca em repouso e também em módulos de diferentes atividades físicas pode emitir alertas para aumentos atípicos da frequência, que podem ser sinal de eventos cardíacos como um infarto.

A qualidade de sono monitorada permite um relatório de sono, ajudando o usuário a entender como dorme e como melhorar seu sono e sabemos que um sono de qualidade é importante para o bem estar, cognição e saúde geral de todos.

Nessa área, um bom exemplo é o FitBit Ionic. Embora com um design questionável, esse smartwatch, além das features mais comuns, informa quantidade de sono leve, profundo e REM.

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crédito: http://www.pocket-lint.com/

O Apple Watch se destaca por também fazer um eletrocardiograma e por emitir alertas de queda. Há relatos de pessoas que salvaram suas vidas graças a essas features, cujo alerta as fez procurar atendimento médico precoce.

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crédito: http://www.apple.com/

A Onrom produz o HeartGuide, o primeiro smartwatch que mede a pressão arterial do usuário, oferecendo ainda as outras características mais comuns destes devices.

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crédito: http://healthcareweekly.com/

Players tradicionais desse mercado incluem a FitBit (comprada em 2019 pela Google por 2,1 bilhões de dólares), a Garmin e a Polar, sendo que as chinesas Huawei e Xiaomi (através da Huami) tem avançado nesse mercado.

Contudo, não apenas de smartwatches vivem os wearables, então vamos falar um pouco sobre alguns outros wearables interessantes e/ou promissores em Healthcare.

A headband do Muse é um wearable que auxilia a meditar e baixar o stress. O usuário coloca na cabeça a headband que capta ondas cerebrais de modo similar a um eletroencefalograma e as transmite na forma de sons ao usuário. Há sons específicos para ondas relacionadas a um estado mental mais relaxado e outras para estados mentais de maior foco ou intensidade cerebral. Uma "assistente pessoal de meditação" pode conduzir o usuário em um processo de relaxamento / meditação.

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crédito: http://choosemuse.com/

Uma área bastante promissora em wearables é, com perdão do trocadilho, das roupas "vestíveis".  Uma pesquisa do fórum econômico mundial apontou que mais de 90% das corporações acreditam que já em 2025 cerca de 10% da população mundial usará roupas com wearables. São sensores adaptados / costurados a roupas para auxiliar no registro de parâmetros físicos e de saúde. Como por exemplo podemos citar as meias da Sensoria ou as calças leg da Wearable X.

SensoriaCore
crédito: http://www.sensoriafitness.com/

Adesivos de pele, como o Philips wearable biosensor, são pequenos adesivos que, colocados na pele, medem frequência cardíaca, respiratória, temperatura e movimentos, compartilhando essas informações e ajudando a controlar pessoas que necessitam de monitoramento contínuo.

Wearable biosensor Wireless remote sensing device

crédito: http://www.usa.philips.com/

Enfim, há wearables para quase tudo e de quase todo modo. Alguns vão ter mais sucesso e outros podem desaparecer com o tempo. Pessoalmente, aposto naqueles que forem mais convergentes. Se você puder ter em um mesmo device frequência cardíaca, pressão arterial e monitoramento de sono confiáveis, isso vai ser melhor do que ter um device para cada um desses itens.

Além da convergência, a  conveniência de uso é outro fator importante para o sucesso de um gadget. Devices de uso fácil como um relógio ou um pequeno chip na roupa, que podem ser usados quase imperceptivelmente, tem mais chance de massificação.

Encerramos por aqui esse post, após uma sucinta exposição sobre o assunto, sempre focando em Healthcare. E você, tem algum wearable? Fique a vontade para compartilhar suas impressões e, se tiver gostado desse post, compartilhe-o com seus amigos e conexões. Até a próxima!








domingo, 2 de fevereiro de 2020

Realidade virtual, realidade aumentada e realidade mista. O que são e o que há em Healthcare para elas.

Saudações a todos! Continuando a proposta de conversamos sobre inovação e novas tecnologias em saúde, hoje vamos falar sobre realidade virtual (VR), realidade aumentada (AR) e realidade mista (MR).

Para começar, vamos diferenciar essas realidades para a partir dai pensarmos em como podemos utilizá-las na saúde.

Iniciando pela realidade virtual (VR), podemos dizer que se trata de uma imersão em um ambiente simulado, permitindo não apenas a visualização desse ambiente mas também a interação com o mesmo. Geralmente são utilizados óculos de VR como o Oculus Rift ou Playstation VR para esse fim.

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Oculus rift, um dos modelos de óculos de VR.

Já a realidade aumentada (AR) trata de sobrepor em tempo real objetos virtuais no mundo real, podendo permitir a interação com esses objetos. Pode ser feita com smartphones, webcams ou óculos específicos para esse fim, como o descontinuado Google Glass. Um popular exemplo de realidade aumentada foi febre alguns anos atrás, quando o jogo Pokemon Go invadiu smartphones em todo o mundo.

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O descontinuado google glass, de AR.

E a realidade mista (MR)? Como se pode deduzir, é  a mistura das realidades virtual e aumentada, permitindo inserir e manipular objetos virtuais (AR) em um mundo virtual simulado (VR).

Agoram que entendemos um pouco do que são essas realidades, vamos explorar algumas das suas possibilidades na Saúde.

Tratamento de fobias com terapias de exposição

Pacientes fóbicos podem ser ajudados com VR sendo expostos, em ambientes controlados, às suas fobias. Claustrofobia, fobias de animais (baratas, aranhas...) são alguns exemplos. Há usos também síndrome de stress pós traumático em veteranos de guerra. 

Nesse link pode ser visto um vídeo de pessoas lidando com fobias através de VR.

Abaixo podemos ver um jogo em VR em que pessoas tentam lidar com seu medo de alturas.



Controle da dor

Um excelente exemplo de uso da VR é no tratamento de vítimas de queimaduras, que é intensamente doloroso.

A Universidade de Washington criou um jogo em VR chamado SnowWorld no qual se deve arremesar bolas de neve em pinguins. Mas... o que isso tem a ver com a dor destes pacientes? As vias neurais responsáveis pela dor desses pacientes são as mesmas utilizadas durante esse tipo de jogo, de modo que o jogo pode "ocupar" essas vias e reduzir sensivelmente a percepção de dor em alguns pacientes. Em alguns casos, essa estratégia se foi mais eficaz que o uso de morfina no alívio da dor.

O vídeo abaixo explica mais sobre o assunto.




Treinamento de anatomia para estudantes de medicina

Já imaginou aprender anatomia em um ambiente de VR, mais interativo, em que você pode "entrar" por exemplo no tórax de um paciente retirando virtualmente os pulmões, observando a estrutura do da parede torácica e depois recolocando os pulmões para entender melhor como tudo aquilo se ajusta? A Medroom, startup brasileira, desenvolveu essa tecnologia e o resultado e a interatividade atingidos é impressionante, tornando o aprendizado de anatomia muito mais efetivo e interessante.

O vídeo abaixo ilustra melhor como funciona essa aplicação, porém devo dizer que testei pessoalmente essa ferramenta e o vídeo não traduz tudo o que ela é de verdade.



Treinamento e planejamento cirúrgicos

Simuladores de ambientes cirúrgicos, como o desenvolvido pela Stanford University, auxiliam no treinamento e planejamento para cirurgiões e residentes.

A Universidade de Munique desenvolveu um capacete de AR (HMD - Head Mounted Display) que permite ao médico fazer uma cirurgia com o auxílio de imagens virtuais da região sendo operada.

O vídeo abaixo é de um planejamento cirúrgico ortopédico auxiliado por VR.



Estimulação de habilidades sociais em autistas

Ambientes virtuais auxiliam no desenvolvimento de habilidades sociais de pacientes autistas, como esse, desenvolvido pela Texas University.

Melhorar qualidade de vida de idosos e/ou deficientes físicos

Experiências imersivas de VR podem ajudar idosos e deficientes físicos a ter experiências que não poderiam ter de outro modo devido às suas limitações, como pilotar um moto ou caminhar na praia. A Stanford University por exemplo desenvolveu um simulador focado nesse problema, com ótimos feedbacks dos seus usuários.


Enfim, há um sem número de aplicações possíveis de VR, AR e MR em Healthcare, com múltiplas possibilidades a serem desenvolvidas e/ou aprimoradas. Todos os envolvidos com o universo Health Tech podem pensar formas mais eficentes e disruptivas de empregar essas tecnologias na saúde, melhorando a vida das pessoas.

Se você achou o conteúdo desse ou de outros posts anteriores interessantes compartilhe com seus amigos e conexões. Até a próxima!

domingo, 12 de janeiro de 2020

Blockchain: o que é e o que Healthcare tem a ver com isso.

Saudações e feliz 2020 a todos! Após uma pausa maior que o habitual entre os posts pelas festas de fim de ano abrimos o ano escrevendo sobre algo promissor em Healthcare, frequentemente mal entendido e envolto em algum mistério. Vamos falar de Blockchain e o que isso tem a ver com saúde.

Para começar é interessante que deixemos claro que blockchain não é a mesma coisa que criptomoedas, como por exemplo a famosa bitcoin e não é delas que vamos falar hoje. O blockchain nasceu junto com o bitcoin mas é na verdade a tecnologia que permitiu o seu desenvolvimento. Hoje há várias outras aplicações possíveis para o blockchain, como Healthcare.

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Assim, antes de falar sobre aplicações possíveis do blockchain em saúde é preciso entendermos um pouco o que é Blockchain, de modo simples, buscando traduzir um pouco do "informatiquês" para que possamos, sabendo melhor do que se trata, entender seus usos possíveis em saúde.

Então, o que seria blockchain? De um modo bastante simples, o blockchain é um livro de registro (banco de dados) de informações e transações, detalhado, confiável e difícil de violar.

Quem lê essa definição pela primeira vez pode imaginar por que tanto hype em cima de um banco de dados já que existem vários por aí.

A questão é que o blockchain, diferente de um banco de dados convencional, utiliza uma rede distribuída (ou descentralizada), sem um servidor central, em que todos os participantes da rede tem a mesma informação. Além disso, para que novas informações sejam introduzidas elas devem validadas por consenso da maioria da rede.

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O fato de ser uma rede descentralizada aumenta a segurança pois é bem mais difícil um invasor  acessar a maioria da rede para alterar dados do que em uma rede centralizada, onde "bastaria" acessar o servidor central. Além disso, o fato de ser necessária validação da maioria da rede para acrescentar novas informações dificulta que se adultere o conteúdo da rede.

Uma vantagem a mais que o blockchain permite é o uso de smart contracts - contratos inteligentes - que fazem transações / validações automaticamente de acordo com regras pré estabelecidas e já as incluem na cadeia de blocos (blockchain) passando a informação para toda a rede.

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Entendido esse mínimo sobre o que é o blockchain e como ele funciona, vamos falar um pouco sobre algumas aplicações bastante interessantes dessa tecnologia em Healthcare.

Uma das possibilidades mais impactantes e disruptivas do blockchain é nos prontuários médicos. Hoje, hospitais, laboratórios e consultórios médicos usam diferentes sistemas de prontuários eletrônicos, que não conversam entre si, de difícil portabilidade e por vezes com questões nebulosas de segurança de dados.

Prontuários médicos baseados em blockchain permitem um nível elevado de segurança dos dados médicos, garantindo que o que é inserido não será apagado ou adulterado. Também podem estimular o empoderamento do paciente, permitindo que ele faça a portabilidade dos seus dados de saúde de um hospital, consultório ou laboratório a outros, aumentando seu engajamento e favorecendo um papel de protagonismo na condução da sua pópria saúde. Dados médicos portáveis e compartilháveis de modo seguro também podem auxiliar na redução dos custos da saúde, evitando exames e procedimentos desnecessários que poderiam ser solicitados por desconhecimento parcial ou total dos dados de saúde do paciente.

Empresas como Patientory, Medibloc e Medicalchain são algumas com soluções em prontuários eletrônicos baseados em blockchain que merecem ser acompanhadas.

Outra área de uso do blockchain em Healthcare é em supply chain . A indústria farmacêutica, por suas características intrínsecas, precisa de altos níveis de monitoramento dos seus produtos, da origem ao consumidor final.  O blockchain pode permitir esse acompanhamento de ponta a ponta com rastreabilidade, auxiliando a monitorar custos e cortar desperdícios.

Modum, Blockpharma e Chronicled são empresas desenvolvendo soluções em supply chain / logística baseadas em blockchain que podem ajudar a indústria farmacêutica.

Genômica é mais uma área de atuação do blockchain. Há empresas trabalhando em ferramentas que permitem o compartilhamento seguro e sem intermediários de dados genéticos, um mercado estimado em bilhões de dólares no futuro.

Encryptgen e Nebula Genomics tem ferramentas para genômica baseadas em blockchain.

Enfim, o blockchain tem potencial para impactar várias áreas e Healthcare é uma dessas áreas. Sendo um assunto bastante amplo, seguem alguns take home messages do que falamos hoje.

- Blockchain não é bitcoin!
- Blockchain é uma ferramenta de registro de dados segura e descentralizada.
- Blockchain tem várias aplicações possíveis em saúde.
- Blockchain em prontuários eletrônicos pode permitir prontuários seguros e compartilháveis além de permitir a portabilidade dos mesmos, aumentando o empoderamento e o engajamento dos pacientes na gestão da sua própria saúde.

Por hoje é isso. Até o próximo post!

domingo, 8 de dezembro de 2019

O fantasma da LGPD

Saudações a todos! Hoje vamos falar de um assunto espinhoso que muitos ou não ouviram falar ou até escutaram, mas não gostaram do que ouviram e estão de alguma forma fechando os olhos torcendo para que, ao abri-los, esse fantasma tenha simplesmente desaparecido da frente. Hoje é dia de falar da Lei Geral de Proteção de dados, a LGPD.



Antes de começar, quero lembrar que sou médico e vou abordar o assunto não como um advogado e sim como alguém de Healthcare interessado no assunto. Quem quiser se antecipar e saber mais, recomendo os ótimos podcasts do Cláudio Santos, do Direito e Tecnologia. Neste site também há informações interessantes sobre o tema.

Mas... para que uma lei de proteção de dados? Dados têm sido considerados o novo petróleo e em uma época de big data crescendo assim como também cresce a capacidade de processar esses dados, decisões baseadas em dados serão mais a regra que a exceção em um futuro não muito distante. Dados valem dinheiro e, particularmente na saúde, valem mais.

Tanto valem que Facebook, Instagram e outras redes sociais não são exatamente "gratuitas" como divulgam. Além das propagandas, há a questão de coleta de dados que são utilizados das mais variadas formas, seja direcionando propagandas para um público mais adequado ao produto ou até influenciando questões muito mais complexas.



O caso da Cambridge Analytica, que usou dados de redes sociais para influenciar as eleições americanas e o Brexit é apenas o mais conhecido deles talvez. Quem quiser saber mais sobre esse caso há até um documentário na netflix sobre o qual pode-se saber mais neste link.



Outra questão importante é a possibilidade de dados pessoais coletados serem usados contra um indivíduo. Imaginem por exemplo uma pessoa deixar de ser contratada por conta de um dado que deveria ser restrito, como, por exemplo, sua orientação sexual, religião ou orientação política.

Assim, muito inspirada na GDPR (General Data Protection Regulation), seu equivalente europeu, surgiu a LGPD. Antes de abordar alguns conceitos básicos sobre ela, gostaria de passar rapidamente por três pontos da LGPD:

-A LGPD deve entrar em vigor, se não for mais uma vez adiada, em agosto de 2020. Ou seja, está logo aí.

-A LGPD vale para dados coletados antes e depois da sua implantação. Em outras palavras, para coletar ou continuar a usar dados previamente coletados será necessário enviar um pedido de autorização ao titular desses dados, no caso da saúde, mais frequentemente o paciente.

-A LGPD vale para todo tipo de dado, não apenas os digitalizados. Prontuários tradicionais em fichas / papel também estão contemplados na LGPD.

Os players em Healthcare estão em sua maioria despreparados ou parcialmente despreparados para essa realidade, talvez, como falado no começo desse artigo, fechando os olhos esperando que ao abrir esse fantasma tenha sumido. Pessoalmente, penso que sua implantação ainda possa ser adiada e/ou alguns pontos modificados, mas realmente não é bom contar com isso e se preparar é bastante aconselhável.

Vamos então passar algumas definições básicas da LGPD. Muito longe de esgotar o assunto, a intenção é apenas ajudar pessoas de Healthcare a entender os conceitos mínimos do assunto.

Dados pessoais: são os dados que permitam identificar, direta ou indiretamente, uma pessoa. Os mais comumente vistos são RG, CPF, passaporte, carteira de habilitação que permitem identificar diretamente uma pessoa, mas outros tipos de dados que possam permitir uma identificação indireta também são considerados dados pessoais.

Dados pessoais sensíveis: são como uma categoria especial de dados pessoais pois abrem margem para discriminação do titular dos dados. Informações relacionadas a raça, convicção religiosa, orientação sexual e opinião política são exemplos de dados pessoais sensíveis.

Titular dos dados: é o proprietário dos dados pessoais. Em Healthcare mais frequentemente estaremos falando do paciente como o titular dos dados.

Controlador dos dados: é a pessoa física ou jurídica responsável pela coleta dos dados pessoais e seu uso.

Operador dos dados: a pessoa física ou jurídica que realiza o tratamento dos dados pessoais em nome do controlador.

Encarregado dos dados: é a pessoa indicada pelo controlador para fazer a comunicação entre o controlador dos dados, o titular destes dados e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados. Se o titular dos dados ou a essa Autoridade tem algo a reclamar sobre os dados é essa pessoa que fará o "meio de campo"com o controlador.

Também é importante lembrar que a LGPD assegura ao titular dos dados alguns direitos. Entre estes direitos podemos destacar os seguintes:

- ter acesso aos dados.
- solicitar correção de dados incompletos ou imprecisos.
- solicitar portabilidade dos dados.
- pedir a eliminação dos dados pessoais.
- solicitar informação de entidades públicas e privadas com as quais o controlador realizou uso compartilhado de dados.

Enfim, a implantação da LGPD suscita várias dúvidas e pode causar consideráveis atritos na área de Saúde, sendo um assunto que quero abordar novamente em um post futuro. Neste post a intenção foi trazer o tema à tona e discutir alguns aspectos básicos do mesmo.

Aproveitando... E a sua instituição, está pronta para a LGPD?  Até a próxima!



sábado, 23 de novembro de 2019

Inteligência Artificial em Healthcare




Recentemente o termo inteligência artificial (AI) está em forte evidência, muito se fala sobre ela e como ela pode nos ajudar, sendo que a área de Healthcare é um dos setores onde muito se fala dela.

No entanto, o que é na verdade AI? O que ela pode fazer em Healthcare? Seremos substituídos por máquinas?



Nesse post vamos tentar entender um pouco mais dela e buscar respostas para essas perguntas.

Uma forma simples e mais coloquial de definir inteligência artificial é a capacidade de computadores ou máquinas de mimetizar funções cognitivas normalmente associadas à mente humana, como aprendizado e solução de problemas.

Outros termos por vezes confundidos com AI são machine learning (ML) e deep learning (DL).  Um modo simples de situá-los é que o deep learning está contido no machine learning e que o machine learning, por sua vez, está contido na AI.

Em outras palavras, todo deep learning é também machine learning mas nem todo machine learning é deep learning. E ambos são inteligência artificial. Quem quiser ler um pouco mais sobre essas diferenças pode acessar esse link e também esse.

Um pequeno comentário aqui; algumas vezes podemos pensar que o deep learning é a ferramenta ideal para solução de qualquer problema, mas isso não é verdade. Para vários problemas ML ou mesmo AI simples podem resolver de modo mais rápido o assunto, ou seja, antes de escolher o que usar, sempre se deve focar em qual resultado se busca. O famoso computador Deep Blue da IBM  que venceu o campeão mundial de xadrez Kasparov em 1996 é um exemplo de AI simples que resolveu adequadamente a solução a que se propunha.




De modo geral, os modelos de AI relacionam dados de entrada a dados de saída, mas detalhes desse processo bem como tipos de algoritmos e outros conceitos como dados estruturados e não estruturados fogem do escopo deste artigo. Possivelmente em um post futuro podemos abordar esses assuntos em maior profundidade.

Partindo para Healthcare, o que há aí para AI? O impacto possível da AI na saúde é gigantesco.

Podemos começar imaginando a seguinte cena. Pense em uma consulta, com o médico digitando em um teclado e olhando para um monitor de computador enquanto faz perguntas, lateralmente ao paciente. Essa cena lhe é familiar? Provavelmente sim. Algumas estatísticas estimam que 40% do tempo de uma consulta é gasto com tarefas não médicas, como digitação e troca de abas em prontuários eletrônicos.

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Processamento de linguagem natural (NLP), que é um recurso de AI, pode liberar o médico dessas funções de modo que ele possa dedicar mais tempo ao seu paciente, olho no olho, sendo mais médico e menos burocrata, transcrevendo no prontuário automaticamente o conteúdo do diálogo. Ferramentas adicionais podem ainda identificar palavras chave importantes para o diagnóstico.

Há vários usos para AI em diagnóstico. Algoritmos podem automaticamente selecionar exames de imagem que contém alterações mais graves e que merecem ser laudados prioritariamente. As imagens abaixo são de uma startup brasileira que desenvolve algoritmos que rastreiam radiografias em busca de alterações que merecem atenção prioritária.



Outros algoritmos podem identificar sangramentos intra-cranianos em tomografias, alertando paa que esses exames sejam laudados prioritariamente e sabe-se que quanto mais cedo se tratar um acidente vascular cerebral mais cérebro se pode preservar.

Ainda na área de imagem, podem ser utilizados algoritmos para clusterizar mamografias como normais ou com achados potencialmente malignos, o que pode ser validado posteriormente pelo médico radiologista, atuando até como uma segunda leitura do exame aumentando a confiabilidade do diagnóstico.

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Outra aplicação possível é a identificação de correlações que muito dificilmente poderiam ser feitas pelos médicos desarmados de AI, identificando grupos de pacientes que respondem melhor a determinadas drogas do que outros, abrindo espaço para medicina de precisão, mais efetiva e com melhores resultados.

Assistentes virtuais, como a Alexa da Amazon, podem ter bots (robôs) integrados que podem triar sintomas referidos pelos pacientes, aconselhá-los e até mesmo chamar ambulâncias em caso de urgências. Também podem auxiliar na adesão a tratamentos, lembrando de horários de medicações, por exemplo.

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Identificação de tumores de pele malignos já estão em andamento, com algoritmos sendo tão sensíveis quanto dermatologistas neste diagnóstico. Imaginem o uso potencial dessa tecnologia em locais onde não há dermatologistas disponíveis.

Examining moles on skin


Enfim, a pergunta fundamental. Irá a AI substituir os profissionais de saúde?

Não é uma pergunta com uma resposta fechada, mas algumas considerações sobre o tema podem ser feitas.

A AI pode potencialmente livrar médicos e outros profissionais de saúde de tarefas que possam ser automatizadas e feitas por máquinas e isso é bom, pois nós podemos nos dedicar mais a exercitarmos nossos soft skills, sendo, no final do dia, mais humanos nas nossas relações com os pacientes, municiados pela AI.

Talvez faça mais sentido pensarmos que o médico que saiba usar as capacidades da AI vá substituir o médico que não a utilize.

Por hoje é só, mas AI em Healthcare é um assunto fascinante e bastante amplo e certamente voltaremos a ele no futuro! Até o próximo post!

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domingo, 27 de outubro de 2019

Entendendo melhor a telemedicina

Terceiro post do blog! Hoje vamos falar de telemedicina, algo que foi muito debatido no começo desse ano aqui no Brasil, buscando entender melhor do que se trata, a que veio e qual sua relação com a medicina convencional.

Para começar vamos procurar definir telemedicina, uma tarefa nada fácil pela amplitude do tema.

Usando uma definição puramente etimológica, a palavra "tele" vem do grego (distância) e telemedicina pode ser considerada, de uma forma bastante simples, como a medicina feita a distância, assim como a  palavra telecomunicação pode ser considerada a comunicação a distância.

Uma definição melhor e mais complexa é dada pela Organização Mundial de Saúde (OMS):

"Oferta de serviços de cuidados com a saúde, nos casos em que a distância é um fator crítico, por profissionais de saúde usando tecnologias de informação e de comunicação para o intercâmbio de informações válidas para diagnósticos, prevenção e tratamento de doenças e a contínua educação de prestadores de serviços em saúde assim como para pesquisas e estudos buscando melhorar a saúde dos indivíduos e comunidades".

Em um momento de desenvolvimento tecnológico contínuo, onde ferramentas como Skype e Whatsapp nos aproximam cada vez mais dos parentes e amigos que moram longe, faz sentido pensar que de algum modo a saúde também pode se valer dessas inovações.

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Agora que definimos o que é telemedicina vamos buscar entendê-la um pouco mais, falando algumas possibilidades e opções que ela nos proporciona.

Dentro da telemedicina podemos destacar a teleconsulta, a teleconsultoria, o telediagnóstico e o telemonitoramento.

A teleconsulta nada mais é que a realização de consulta médica ou por outro profissional de saúde a distância, por meio de tecnologia de informação e comunicação.

Teleconsultoria ou Teleinterconsulta é uma consulta (ou consultoria) à distância entre profissionais de saúde para esclarecer dúvidas sobre procedimentos, diagnósticos ou tratamentos. Pode ser síncrona (realizada em tempo real) ou assíncrona (troca de mensagens não necessariamente em tempo real).

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O telediagnóstico é a realização de diagnósticos por exames à distância. Particularmente a telerradiologia está bastante avançada e difundida aqui no Brasil assim como na maior parte do mundo. Outras modalidades crescentes de telediagnóstico são a tele-eletrocardiografia, a tele-eletroencefalografia e a telepatologia .

Telemonitoramento, como imaginamos pelo nome, envolve monitorar a distância parâmetros de saúde e/ou doença de pacientes. Wearables como smartwatches que fazem eletrocardiogramas em tempo real tem um forte potencial nessa área.

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Agora que vimos as principais modalidades da telemedicina vamos pensar nas suas vantagens:

-Encurtamento de distâncias: permite que pessoas distantes de grandes centros tenham acesso a profissionais especializados que podem não existir em centros menores. Do mesmo modo permite que médicos generalistas dentro e fora de grandes centros tirem dúvidas com médicos especialistas. Tanto em um caso como no outro, o resultado do atendimento para o paciente tende a ser  melhor.

-Ampliação do acesso a cuidados de saúde: permite que pessoas de cidades menores e/ou remotas, onde frequentemente não há nenhum tipo de atendimento de saúde, tenham atendimento via telemedicina.

-Redução de filas de espera para atendimentos: muitos atendimentos podem ser resolvidos com segurança via teleconsultas, otimizando a fila tanto para estes pacientes como para os que precisam de atendimento presencial.

-Redução de custos e ganhos de escala: pode-se otimizar a rotina de trabalho tanto de generalistas como de especialistas, ganhando eficiência operacional e reduzindo custos, questões tão importantes em tempos de custos de saúde em alta contínua como os nossos.

Uma pergunta que por vezes se ouve é se devemos usar a telemedicina.

A telemedicina não só amplia o leque da população com acesso a serviços de básicos de saúde como também a serviços mais especializados. Também colabora para a redução de custos na saúde permitindo otimizar agendas e ganho de escalas, em um momento em que os custos da saúde são uma preocupação constante (quem quiser pode ler o primeiro post desse blog que fala sobre esse cenário).

Devemos usar a telemedicina em lugar da medicina cara a cara? Essa é uma pergunta comum e talvez um pouco equivocada na sua concepção.

Medicina e telemedicina não são antagonistas, são complementares e devem atuar em sinergia. Há questões que não podem ser resolvidas remotamente, como por exemplo uma parada cárdio-respiratória ou mesmo condições mais simples mas que exijam exame físico.

Contudo, modalidades de telemedicina como a teleconsultoria podem permitir que um médico generalista frente a frente com o paciente faça um atendimento melhor de um, por exemplo, acidente vascular cerebral, auxiliado remotamente por um especialista. Teleconsultas podem levar medicina a rincões distantes ou não há nenhuma medicina. Enfim, medicina e telemedicina são complementares e não devem ser vistas como antagônicas.

Regulamentação da Telemedicina no Brasil. Em 6 de fevereiro de 2019 o Conselho Federal de Medicina aprovou uma resolução para a Telemedicina, que por muita pressão, talvez de quem a veja como antagônica da medicina, foi revogada pouco depois.

Esse processo lembra o começo do Uber, quando embora ainda não regulamentado pelos governos já havia sido aprovado e abraçado por grande parte da população e a governos tiveram que correr para legalizar algo que já estava funcionando a pleno vapor.

O avanço da telemedicina é irreversível e isso pode ser observado quando Hospitais referência como o Albert Einstein e planos de saúde como a Sulamérica tem programas bem estabelecidos de telemedicina. Os vídeos de apresentação destes programas estão logo a seguir.

 




É verdade que ainda há vários desafios reais para a telemedicina, como a garantia de segurança e qualidade (que são desafios também para a medicina) e a necessidade de se examinar o paciente, entre várias outras, mas seguramente a telemedicina chegou e deve evoluir de mãos dadas com a medicina, buscando, como na definição da OMS que citamos acima, melhorar a saúde das pessoas e das populações.

Abraços a todos e nos vemos no próximo post!






















Descomplicando a Impressão 3d. O que é isso e o que há em Medicina e Saúde para ela.

Saudações a todos! Espero que estejam, dentro do possível para tempos de pandemia, bem e com saúde. Que o new normal que vai emergir ao fim ...